Se
ao primeiro contacto parece tímido, logo se percebe que é um jovem muito
alegre. Marco Frieden chegou à APCC – Associação de Paralisia Cerebral de
Coimbra em março de 2013. Atento, ouviu a explicação sobre a instituição e o
voluntariado que, por cá, acontece. Como aluno finalista do ensino secundário
que era à data, logo deixou claro que sim, queria fazer voluntariado na APCC,
mas só iniciaria atividade depois de terminadas as aulas e feitos os exames. E
assim foi.
Marco
Frieden tem 18 anos. As suas origens são alemãs, mas foi em Coimbra que nasceu
e cresceu. Foi-se «apaixonando cada vez mais» por esta cidade. É voluntário na
APCC e no Hospital Pediátrico, instituições às quais se tem dedicado desde que
terminou o ensino secundário. Em janeiro iniciará uma nova fase. Serão outros
dias, outros desafios, nos quais certamente muito estarão presentes estes
últimos meses.
Quando
em casa se ponderou acerca da possibilidade de Marco vir a fazer voluntariado,
o pai, que já conhecia a APCC, «sugeriu-a como uma boa instituição para
começar», conta. E Marco foi firme na decisão. Vejamos: inscreveu-se em março e
em julho iniciou, participando nas atividades de verão da Residência Eça de
Queirós. O primeiro impacto? «Foi diferente», partilha ele. «Não me era
habitual o convívio com pessoas com dificuldades motoras ou mentais». Se
poderia ter sentido quaisquer tipos de dificuldades/receios no início, isso não
aconteceu. «Foi um contacto muito simpático e querido», acrescenta.
Setembro
trouxe-lhe uma das atividades que, em março, havia assinalado como do seu
interesse: a que acontece na piscina. Marco foi voluntário na hidroterapia (com
o departamento de Fisioterapia), na Adaptação ao Meio Aquático e na Tricicleta
(estas duas com o departamento de Educação Física e Desporto). Doce com os mais
novos e bem-disposto com os mais crescidos, Marco percebeu, logo, os contextos
em que estava e que características dele se esperavam. Adaptou-se muito bem, embora
tal como o próprio afirma: «nem sempre foi fácil, pois este era o primeiro
contacto direto com esta realidade».
Marco
encontrou na APCC «uma nova forma de ver as coisas, sem qualquer tipo de
preconceito». Confirmou que «não somos todos iguais» e aprendeu a «ser mais
paciente». Mudou, portanto. «Sim, posso dizer que hoje sou uma pessoa muito
mais compreensiva e tolerante», diz.
Ser
voluntário é, para ele, «poder dar aos outros algo que não é esperado, mas é
sempre bem-vindo». Refere mais: «em todo este tempo na APCC, não tive dificuldade
em interagir com pessoas com deficiência ou colegas».
O
Marco gosta de estar no café ou em qualquer outro local com os amigos. Gosta de
conversar e de conviver. Nós gostámos muito de o ter por cá! A ti, Marco, muito
obrigado por toda a dedicação, interesse, simplicidade, singularidade e alegria
com que estiveste connosco. Desejamos-te tudo de bom nesta nova etapa.
«Para ser grande,
sê voluntário»
A
cada ano de voluntariado, o seu tema. O trabalho realizado em 2013/2014
decorrerá segundo o seguinte: «Para ser grande, sê voluntário». Maëlle Bompas e
Priska Petau, voluntárias europeias na APCC no âmbito do Serviço Voluntário
Europeu entre 02 de Maio e 02 de Novembro de 2013, utilizaram esta expressão
numa exposição por elas organizada. E nós concordamos!
«Para
ser grande, sê voluntário» será, também, o mote desta rubrica que apresentará
os grandes voluntários que connosco colaboram. Estamos a desafiá-los a
completar a seguinte frase: «para ser _______, sê voluntário». A resposta de Marco?
«Para ser completo, sê voluntário».
