«Para ser BONITO, sê voluntário»





Ló, 62 anos, voluntária na APCC

Para iniciar a história de hoje recorro à primeira pessoa do singular (à qual não dou muito uso). Quero partilhar um diálogo que aconteceu há dias. Em Inglês, a voluntária europeia Selin dizia: «a Ló é tão bonita. Não consigo tirar os meus olhos dela». Espero que a Selin me perdoe a partilha. Quando o disse, fez-me sorrir, pois foi essa a palavra escolhida pela própria Ló para completar a frase que dá sentido a esta rubrica. Defende a nossa Ló que «Para ser bonito, sê voluntário». Mas, é a uma beleza especial que se refere: aquela que se sente. Fala de se ser «bonito por dentro».


Ló é, afinal, Maria da Glória Silva Correia Carvalheiro. Aos 62 anos (recentemente comemorados, por isso, muitos parabéns!) diz que o mais importante para ela é a família. Natural de Arroios, Vila Real, veio jovem para Coimbra, cidade na qual se formou em Educação de Infância. Viveu dias muito felizes na Ré Maior, onde teve o seu primeiro local de trabalho e através da qual participou num trabalho que deu início à rede oficial de jardins de infância. Com o verão, recebeu um convite: a educadora João e o Dr. José de Mendes Barros desafiavam-na a entrar para o então Núcleo Regional do Centro da Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral (NRC-APPC) hoje APCC – Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra. 


Ló encontrava uma instituição que dava os seus primeiros passos na cidade, na região centro. Jovem muito extrovertida que era, foi-lhe fácil integrar-se. «Era pouca gente», recorda, «fui muito bem recebida». A instituição foi crescendo e a Ló também. Há histórias que, aqui, se entrelaçam de uma forma bonita. Foi na Eça de Queirós (na casa que recebeu o primeiro centro de reabilitação e que, hoje, é uma residência) que fez a sua despedida de solteira. Foi para lá que levou o vestido de casamento. Ló sorri ao recordar estes pormenores, assim como «momentos muito engraçados» vividos com quem partilhou aqueles dias. «Havia muito companheirismo, mas sabíamos distinguir muito bem a amizade da profissão». 


«A APCC foi muito forte na minha vida», responde quando se pergunta que impacto teve a instituição no seu percurso. Quando precisou teve a seu lado os colegas/amigos, bem como os pais dos seus meninos. Há laços assim que, quando criados, se manifestam de um modo tão especial. 


Aos 62 anos, Ló define-se como uma pessoa mais ponderada. «Não ando sempre a mil como acontecia», conta. Aquando da reforma recebeu o convite para fazer parte da direção da APCC. Aceitou e, por isso, é hoje voluntária na instituição. O programa semanal não tem o nome da Ló, mas ela recebe-o a cada sexta-feira, analisa-o com cuidado e, sempre que pode, juntasse a nós para connosco estar e ensinar-nos algo novo e melhor. Responsável pelo pelouro do voluntariado ri-se quando conta que passou a «mexer no e-mail» e que até o Inglês melhorou. 


Não precisa de o dizer, mas sabemos que adora um «Chá das Seis» ou um «Jantar Intercultural», assim como saídas com as residências, visitas às residências, idas ao teatro com «os nossos meninos» e tanto mais, desde que no que se faça se coloque um pouco de cumplicidade e dedicação. Para a Ló ser voluntário «é uma forma de estar na vida». É-o desde os 10 anos, uma aprendizagem que a família, cedo, lhe proporcionou.


A Ló gosta da família. (Voltamos a escrevê-lo.) Gosta que se fale verdade, «mesmo que seja dura». Gosta dos amigos, de um charuto, de vinho e de cozinhar (e que bem que o faz!). Gosta de ir a Lisboa, a jardins, ao teatro e a concertos. E nós, Ló, gostamos muito de si! 


«Para ser grande, sê voluntário»


A cada ano de voluntariado, o seu tema. O trabalho realizado em 2013/2014 decorrerá segundo o seguinte: «Para ser grande, sê voluntário». Maëlle Bompas e Priska Petau, voluntárias europeias na APCC no âmbito do Serviço Voluntário Europeu entre 02 de Maio e 02 de Novembro de 2013, utilizaram esta expressão numa exposição por elas organizada. E nós concordamos! 

«Para ser grande, sê voluntário» será, também, o mote desta rubrica que apresentará os grandes voluntários que connosco colaboram. Estamos a desafiá-los a completar a seguinte frase: «para ser _______, sê voluntário». A resposta da nossa Ló? «Para ser bonito, sê voluntário».

«Para ser ORGULHOSO, sê voluntário»



João Delgadinho, 27 anos, voluntário na APCC


Pontualidade é com ele. Aos 27 anos, João Delgadinho é voluntário na APCC – Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra. Os dias em que connosco está são mesmo divertidos. O João está sempre a sorrir. Adora conversar, sobretudo se houver umas piadas. Assim é o nosso João: disponível, esforçado e muito dedicado às crianças e equipas com quem colabora há já um ano. Encontramo-lo na ludoteca e no recreio. Sempre que é necessário apoia nas atividades da Quinta Pedagógica “O Caracol” e nas saídas dos nossos meninos.


Nasceu «nesta bela cidade dos estudantes», conta ele. Conheceu a APCC através de um amigo do pai. Diz que o primeiro impacto «foi muito bom, porque encontrei pessoas que são simpáticas e divertidas». A alegria, com que a cada dia nos chega, reflete o quanto gosta do voluntariado. A resposta com que nos presenteia é mesmo à João: «isto é mesmo brutal, posso brincar com os miúdos, fabricar e montar brinquedos». Acrescenta: «é uma sensação única e brutal estar aqui com estas pessoas».


Diz ter mudado a sua maneira de ser. Também nos mudou a nós. Para o João, ser voluntário «é mesmo porreiro» porque, segundo afirma, «no voluntariado aprendem-se muitas coisas mesmo boas».


João quis responder à entrevista aqui, no gabinete. Talvez tenha sido este o momento em que o vimos mais sério. Concentrou-se ao máximo, não permitiu que o distraíssem e quando foi momento de escolher a sua palavra não teve quaisquer dúvidas: orgulhoso. Gosta muito de desporto aquático e de música. Ele é, aliás, DJ. Nós, João, gostamos muito de te ter por cá! 


«Para ser grande, sê voluntário»


A cada ano de voluntariado, o seu tema. O trabalho realizado em 2013/2014 decorrerá segundo o seguinte: «Para ser grande, sê voluntário». Maëlle Bompas e Priska Petau, voluntárias europeias na APCC no âmbito do Serviço Voluntário Europeu entre 02 de Maio e 02 de Novembro de 2013, utilizaram esta expressão numa exposição por elas organizada. E nós concordamos! 

«Para ser grande, sê voluntário» será, também, o mote desta rubrica que apresentará os grandes voluntários que connosco colaboram. Estamos a desafiá-los a completar a seguinte frase: «para ser _______, sê voluntário». A resposta de João? «Para ser orgulhoso, sê voluntário».

«Para ser FELIZ, sê voluntário»



Andreia Gaspar, 25 anos, voluntária na APCC


Andreia Gaspar encontrou, em 29 de abril de 2013, um gabinete de voluntariado atarefado. Tarefa para cumprir aqui. Correria para ali. Uma reunião seguida de outra. Andreia, que veio acompanhada pela voluntária Anabela Fernandes (sua professora na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra) vinha para entrevista e, durante aquele momento em que se disponibilizou para estar na APCC – Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra, trouxe-nos calma. Andreia é assim: de jeito sereno e doce. Os dias em que connosco está são (tal como ela) feitos de serenidade e doçura.


Natural da Figueira da Foz, Andreia é hoje professora estagiária. Com Licenciatura em Geografia e prestes a terminar o Mestrado em Ensino de História e Geografia, começou por fazer voluntariado na sala de jardim de infância da educadora Clara, segundo diz, «com meninos e meninas maravilhosos». Hoje colabora com a equipa da ludoteca. Participou no «Coimbra a Brincar» e em atividades na Quinta da Conraria. 


Aos 25 anos, Andreia sente-se feliz por ter a oportunidade «de poder conviver com estes meninos». «Sinto-me a Alice no País das Maravilhas, em versão Andreia na associação que faz maravilhas». (Esta expressão faz-nos esboçar aquele sorriso com que se diz: «só mesmo a Andreia!»). Encontrou na APCC «amizade, um grupo divertido, unido e empenhado em ajudar os outros», partilha.


Quando questionada se é uma Andreia «diferente» da que nos chegou em abril de 2013, afirma que sim. «Deixei de pensar só em mim. Passei a pensar ainda mais nos outros e no que precisam de nós». Ser voluntário é, para ela, «ajudar, brincar, fazer novas amizades e receber em troca um simples e sincero sorriso». (Depois de fechar estas aspas e de lhes pôr o ponto final, permitimo-nos abrir um novo parêntesis para esboçar novo sorriso. Explicamos: aquando da entrevista inicial, Andreia respondeu à questão «o que espera receber?» com o seguinte «um sorriso já me deixaria feliz». Concretizou-se.)


Foi em Coimbra que encontrou uma oportunidade para fazer voluntariado. É nesta cidade que, em breve, terminará o seu mestrado. Di-la a cidade da sua vida: «aquela que me dá as maiores alegrias. É a cidade das amizades, do amor». 


Anabela Fernandes falou, um dia, com Andreia sobre a sua experiência na APCC. Vir, tornar-se num membro do gabinete de voluntariado foi algo positivo para Andreia. «Ajudou-me muito na fase menos boa em que me encontrava. Fez-me perceber que há mais na vida do que podemos imaginar». Acrescenta: «dou os parabéns à equipa de voluntariado que faz com que nós, voluntários, nos sintamos em casa». (Esboçamos novo sorriso. Obrigado!).


Andreia gosta de ler, caminhar à beira-mar, ver filmes, fazer voluntariado e nós gostamos muito de a ter por cá! 


«Para ser grande, sê voluntário»


A cada ano de voluntariado, o seu tema. O trabalho realizado em 2013/2014 decorrerá segundo o seguinte: «Para ser grande, sê voluntário». Maëlle Bompas e Priska Petau, voluntárias europeias na APCC no âmbito do Serviço Voluntário Europeu entre 02 de Maio e 02 de Novembro de 2013, utilizaram esta expressão numa exposição por elas organizada. E nós concordamos! 


«Para ser grande, sê voluntário» será, também, o mote desta rubrica que apresentará os grandes voluntários que connosco colaboram. Estamos a desafiá-los a completar a seguinte frase: «para ser _______, sê voluntário». A resposta de Andreia? «Para ser feliz, sê voluntário».

«Para ser FELIZ, sê voluntário»



Inês Gomes, 23 anos, voluntária na APCC


Talvez a Inês não se tenha apercebido, mas em 3 de janeiro de 2014 fez dois anos que ela se inscreveu no voluntariado da APCC – Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra. Começou a caminhar connosco em 3 de janeiro de 2012, data da sua entrevista. Conhecíamos, então, uma Inês Gomes envergonhada, de poucas palavras. Dizia que, se aprovada para fazer voluntariado por cá, se trataria da sua primeira experiência como voluntária. O que a trouxe? Quis aprender, ser útil, desenvolver competências. 

Quando chegou a Inês era ainda estudante da Escola Superior de Educação de Coimbra. Vimo-la formar-se em Língua Gestual Portuguesa. Parabéns Inês. Quem a trouxe-a à APCC foi uma funcionária da instituição. «A Sara incentivou-me a vir conhecer esta realidade», partilha Inês. «O primeiro impacto foi verdadeiramente único», continua. «Não sabia o que iria encontrar, por isso quando realizei a minha primeira atividade estava com receio». Começou pelo refeitório/recreio, atividade que ainda mantém. «A única coisa que me causou alguma impressão foram os tubos através dos quais algumas crianças são alimentadas. Hoje é tudo normal». Se já fez outras coisas? Claro. Sempre que pode participa em saídas ao exterior, colabora com a Quinta Pedagógica “O Caracol” e, no último verão, também esteve com a Residência Eça de Queirós. 

Afirma ter encontrado na APCC «pessoas maravilhosas, novas perspetivas e ideias». Somos da opinião de que Inês mudou nestes dois anos e ela confirma-o: «sem dúvida. Penso que me tornei mais atenta às pessoas, mais respeitadora e mais afetuosa». Nós diríamos mais: a alegria substituiu por completo a inicial timidez.

«Como é bom estar aqui», acrescenta destacando que estes dois anos lhe sabem a pouco. Porquê? A Inês encontrou na APCC uma nova possibilidade para os dias que se seguiram ao concluir da formação: vai participar no Serviço Voluntário Europeu. Em março iniciará uma nova fase, um outro voluntariado numa instituição congénere à APCC, na Alemanha. Uma nova aventura é certo, à qual a nossa instituição está associada, pois é a organização de envio da Inês. Que corra tudo bem Inês e que encontres uma experiência única e rica em oportunidades.

«Para ser grande, sê voluntário»

A cada ano de voluntariado, o seu tema. O trabalho realizado em 2013/2014 decorrerá segundo o seguinte: «Para ser grande, sê voluntário». Maëlle Bompas e Priska Petau, voluntárias europeias na APCC no âmbito do Serviço Voluntário Europeu entre 02 de Maio e 02 de Novembro de 2013, utilizaram esta expressão numa exposição por elas organizada. E nós concordamos! 
«Para ser grande, sê voluntário» será, também, o mote desta rubrica que apresentará os grandes voluntários que connosco colaboram. Estamos a desafiá-los a completar a seguinte frase: «para ser _______, sê voluntário». A resposta de Inês? «Para ser feliz, sê voluntário».