«Para ser INTEIRO, sê voluntário»




 
Tiago Neves, 26 anos, voluntário na APCC


É o próprio que o confirma. No dia em que pela primeira vez se dirigiu ao Centro de Reabilitação da APCC – Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra, sentia «expectativa e, ao mesmo tempo, alguma reticência». O olhar denunciou-o já na altura, mas agora (sete meses e muitos desafios superados depois) é ele quem o afirma. Aos 26 anos e licenciado em Ciências do Desporto, Tiago Neves é preparador físico e voluntário na APCC.

Há situações assim. Ouviu falar da experiência da irmã de uma amiga da mãe e equacionou a possibilidade. O que o motivou a vir? O desejo de ocupar os tempos livres, de conhecer pessoas e, sobretudo, de ajudar. Se conseguiu? A resposta está nas palavras que se seguem.


Tiago começou pela hipoterapia. À terça-feira, entre as 9h30 e as 12h00, acompanhava as crianças que, da Escola Básica 1 da APPC, se deslocavam ao Picadeiro, na Quinta da Conraria. Esteve (está) sempre disponível para colaborar nas atividades da Quinta Pedagógica “O Caracol”. Quando foi desafiado a participar no espetáculo «Terra e Alma Precisa-se!» disse logo que sim. Entretanto, conheceu o Jardim de infância (que o recebe à sexta-feira) e a residência Eça de Queirós. Está quase, quase a iniciar-se na Tricicleta (uma modalidade desportiva que se destina a pessoas com Paralisia Cerebral). Diz-se satisfeito. «Nunca pensei conseguir atingir tudo o que consegui». O percurso de Tiago é feito de superação pessoal e de muita disponibilidade para com a instituição.

Afirma ter encontrado na APCC «um grupo de voluntariado espetacular, sempre pronto para ajudar». Há mais. Fez «novos e bons amigos» e conheceu «muitos utentes prontos para receberem novos voluntários». Se pensou que os clientes não dariam pela sua colaboração, comprovou o contrário: «hoje apercebo-me de que isso é mentira».


À questão se mudou?, Tiago responde com um rápido «muito». Logo acrescenta: «sou mais paciente, aprendi a respeitar ainda mais o próximo, aprendi sobre o quanto estes utentes têm para nos oferecer». Vê-lo em atividade é confirmar tudo isto.


Para Tiago, ser voluntário «é um motivo de orgulho. É ter a capacidade de nos superarmos diariamente perante as diferentes situações, de mantermos o sorriso e a boa disposição. É estar pronto para ajudar o próximo, dentro ou fora da instituição».


O início da atividade de Tiago na APCC coincidiu com a chegada das voluntárias europeias, Maëlle Bompas e Priska Petau, a Coimbra. Novatos que os três eram por cá, rapidamente se conheceram e um laço que poderia ter sido meramente «institucional» logo se transformou numa amizade. Ele mostrou-lhes uma Coimbra jovem e divertida, apresentou-lhes os amigos, a namorada. Levou-as a Tomar, ajudou-as a desmarcar um hotel e deu-lhes dicas importantes sobre «como ir», «onde ir» ou «o que/como fazer». Também lhes ensinou Português e elas o Francês e o Alemão a ele. Ter-lhe-ão Maëlle e Priska ensinado/mostrado algo mais? Ele responde (destacando que falar de voluntariado implica, obrigatoriamente, referir-se-lhes «pelos bons laços de amizade, mas também por tudo aquilo que elas me ensinaram neste “novo mundo”»): «passei a olhá-las sempre com mais admiração, especialmente porque aquilo que elas eram na instituição e no contacto com os utentes, eram-no também “cá fora”. Têm princípios de vida bem definidos. A elas, o meu muito obrigado».


O Tiago gosta de desporto, dos amigos, de jogos… e nós gostamos muito de o ter por cá! A ti Tiago, o nosso muito obrigado!




«Para ser grande, sê voluntário»


A cada ano de voluntariado, o seu tema. O trabalho realizado em 2013/2014 decorrerá segundo o seguinte: «Para ser grande, sê voluntário». Maëlle Bompas e Priska Petau, voluntárias europeias na APCC no âmbito do Serviço Voluntário Europeu entre 02 de Maio e 02 de Novembro de 2013, utilizaram esta expressão numa exposição por elas organizada. E nós concordamos!
 
«Para ser grande, sê voluntário» será, também, o mote desta rubrica que apresentará os grandes voluntários que connosco colaboram. Estamos a desafiá-los a completar a seguinte frase: «para ser _______, sê voluntário». A resposta de Tiago? «Para ser inteiro, sê voluntário».