O professor Paulo Jacob e o cliente Fausto foram os convidados do Chá das Seis de Fevereiro. A música foi, assim, o ponto de partida para abordar a entrada e o crescimento do professor na instituição e para perceber o impacto que esta forma de expressão tem na vida do Fausto.
Foi uma sessão bonita e animada que nos fez levar para casa muito para pensar. Falar de música na APCC - Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra é falar de 5.ª Punkada, a banda que a 17 de Dezembro comemorará 20 anos de muitos palcos percorridos e, sobretudo, de alegrias para quem participa neste projecto.
Perguntar ao Fausto o que significa para ele ser o vocalista dos 5.ª Punkada é ouvi-lo dizer «não tem palavras». Perguntar ao Paulo como são os momentos em que todos se juntam para criar é ouvi-lo dizer «são mágicos».
A Tina, que desde cedo os acompanha, partilhou connosco o impacto que a banda teve/tem no seu percurso. O professor Tiago Silva, que desenvolve o projecto do Grupo de Bombos, também.
Foi uma sessão fantástica. Outra vez. E doce... Obrigado Demoicil, Ló e Paula pelos vossos bolos... Que deliciosos que estavam...
O Chá das Seis regressa em Abril! Mais abaixo, fotografias e o texto introdutório.
Paulo Jacob e Fausto, com «Momentos Indescritíveis»
Pouco contacto havia tido com a deficiência. Contava-se apenas
aquela vez em que se enganara e entrara num autocarro repleto de pessoas que
frequentavam a APCC. Mas, o amigo havia-o convidado a assistir ao ensaio de uma
banda que, de seu nome 5.ª Punkada, sabia ser constituída por pessoas com
deficiência. Lá decidiu ir, sob o argumento de que não ficaria na ignorância.
Aquele ensaio representou para ele – o Paulo Jacob hoje
professor, coordenador do departamento de música e musicoterapeuta na APCC –
uma viragem na sua forma de ver o ser humano. Ficou literalmente estupefacto
com o espectáculo a que assistiu. Aquelas pessoas com deficiência formavam uma
fantástica e deslumbrante banda.
O Paulo Jacob, que até então um pouco à deriva andava,
encontrava ali, na sala de música da Quinta da Conraria, a sua razão de ser
enquanto profissional e pessoa. Do part-time
inicial surgiu o convite para trabalhar com outros clientes e projectos numa
instituição na qual sentia haver muito potencial para fazer música.
Fausto foi, efectivamente, um dos grandes motores dos 5.ª
Punkada. Claro que tinha aquela pancada para a música e um sonho tão grande,
mas tão grande: ser vocalista. Por ter uma forma de cantar própria, lá se viu
obrigado a remar contra uma maré que insistia em lhe dizer que ser vocalista de
uma banda não era para si. Obstinado e teimoso, tanto insistiu que conseguiu. E
é ele, ainda, que escreve as letras, cuja grande maioria das músicas resulta de
improvisações que, todos juntos, fazem em contexto de ensaio.
São mágicos os momentos em que Paulo, Fausto, Márcio, Ricardo e
Fátima entram em palco. Há muita energia e emoção. Segundo Paulo, «há momentos
que roçam mesmo o indescritível». Já foram a vários pontos do país, assim como
da Europa. De destacar, colaborações com a Casa da Música e com a Orquestra
Clássica do Centro. A palavra é, agora, deles,…
Ao Paulo Jacob e ao Fausto, obrigado!