Chá das Seis | Anabela e Bernardo, «Histórias que se cruzam»

Ontem, 30 de Janeiro, foi dia de «Chá das Seis». Iniciámos o ano a falar de desporto, mais especificamente de uma modalidade com bastante destaque na APCC - Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra - o Boccia.
A professora Anabela e o atleta Bernardo foram os convidados de uma sessão intitulada «Histórias que se cruzam». Como dita a regra houve chá, sumo também,feitos acompanhar por dois bolos deliciosos com que a nossa voluntária Florbela nos presenteou. Que bons que estavam! Obrigado!
A Anabela e o Bernardo confirmaram que o Boccia é uma modalidade de que muito gostam. Ela enquanto treinadora, ele enquanto atleta. Falaram sobre pormenores técnicos, sublinharam a dedicação necessária às muitas conquistas que os atletas da APCC têm feito. Ui que as medalhas já são mesmo muitas... Professora Ana Cláudia, António, Emílio, Rosa e Anabela são, nas palavras do Bernardo, uma «super-equipa». 
O Bernardo adora o Boccia. Treinos, estágios, campeonatos fazem-no delirar. A APCC é, para ele, uma família. Sonha «ser o melhor» e confirma o quanto admira António Oliveira, atleta muito medalhado, inclusivamente nos paralímpicos. 

Foi uma sessão fantástica. Obrigado Bernardo por connosco partilhares as tuas acrobacias, os teus sonhos. Obrigado Anabela pela forma como abordaste o trabalho desenvolvido no departamento de Educação Física e Desporto e o  percurso que te trouxe até nós. Obrigado mãe Carla pelas palavras sábias! 

Na plateia, um espectador especial: o Diogo que, ainda pequenino, já começa a lançar as primeiras bolas e a descobrir o «bichinho» do Boccia acompanhado, tal como o Bernardo quando em criança começou a dar os primeiros passos na modalidade, pela professora Ana Júlia.
Bernardo, as tuas medalhas são prova de muito valor!

Aqui ficam algumas fotografias, assim como o texto que serviu de apresentação à sessão!

 







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Anabela e Bernardo, com “Histórias que se cruzam”

«Ainda aluna do ensino secundário, Anabela Marto partilhou a secretária com uma colega portadora de deficiência motora. Ficou-lhe aí o que ela apelida de «bichinho pela Educação Especial». Talvez por lhe ter detectado esse «bichinho», um professor resolveu indicar-lhe um curso na área.
Em 1987, Anabela ingressou no curso de Educação Especial e Reabilitação, na Faculdade de Motricidade Humana, em Lisboa. Foi enquanto voluntária que contactou pela primeira vez quer com a instituição que hoje representa enquanto professora e coordenadora do Departamento de Educação Física e Desporto, quer com a modalidade de Boccia. Daí a tornar-se treinadora de Boccia foi um ápice.
O terminar do curso foi, como dita a regra, sinónimo de procura de emprego. Um cartaz afixado na faculdade ditou o seu percurso enquanto profissional: o então Núcleo Regional do Centro da Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral (hoje APCC – Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra) procurava um colaborador para a área do Desporto. Concorreu. Veio a entrevista. Ficou.
Anabela falará da importância atribuída pela instituição ao desporto, das modalidades desenvolvidas e em vias de desenvolvimento. Recordará, também, António Marques o campeão paralímpico que acompanhou, por exemplo, em Sydney. Apresentar-nos-á Bernardo Lopes carinhosamente apelidado de Becas e cujo gigante sorriso não passa despercebido.
O Becas entrou para a APCC ainda criança. Foi com a professora Ana Júlia que começou a «lançar bolas». Feito o 1.º ciclo, seguiu para uma escola na sua área de residência. Dado o talento e o muito gosto pelo Boccia, escola e instituição ajustaram-se a fim de que o atleta pudesse frequentar os treinos. Hoje, fá-lo duas vezes por semana e no currículo tem já muitas medalhas e conquistas feitas. António Marques é o seu ídolo. Por isso, trabalha para um dia, quem sabe, ser ele o ídolo de um outro atleta. É muito motivado e competitivo, características que associadas à sua simpatia e alegria o destacam já.
Hoje, a palavra é deles. Anabela e Bernardo, obrigada por estarem connosco!»