O Chá das Seis regressou. E que bom que foi.
A 27 de Novembro, o bar do Centro de Reabilitação encheu para ouvir dois convidados muito especiais - professora Suzete Azevedo e cliente Marcos Henrique.
Se de assuntos «sérios» se conversou, certo é que muito se riu. A arte foi o ponto de partida para ir um pouco mais além. Aos que aceitaram o desafio, obrigado pela vossa presença. Certamente que, tal como nós, terão tido um final de dia mais rico, pois ouvir convidados com tamanha presença é, simplesmente, enriquecedor.
À professora Suzete, ao Marcos e à mãe do Marcos um agradecimento MUITO ESPECIAL. Foi fantástica a sessão! À Dra. Teresa Paiva um obrigado pelo maravilhoso bolo de chocolate
Aos que não vieram não se preocupem. Em Janeiro há mais. Não perguntem, porque não revelamos. Cumpre-se a regra: não dizemos quem serão os convidados. Mas, promete.
Aqui deixamos o texto que inaugurou a sessão, assim como algumas fotografias!
«Calções verdes. Cinto preto. Camisa preta com caveiras brancas.
Sapatos Vermelhas. Foi assim que Suzete Azevedo se vestiu no seu primeiro dia
na APCC – Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra. Recém-chegada de
Sevilha, cidade espanhola onde concluíra a parte curricular do doutoramento,
Suzete foi encaminhada, através do centro de emprego, para a nossa instituição.
Em 2006, Suzete iniciava o seu percurso no departamento de Expressão Plástica,
tendo a seu lado a professora Fátima Januário.
Nesse primeiro dia, destacou-se pela forma algo «diferente» com
que se apresentou. Era como se vestisse «irreverência». Marcou, na altura.
Marca hoje todos os que com ela trabalham/estão diariamente. De espírito
decidido e muita vontade de trabalhar em prol dos seus «meninos», Suzete é a
professora de Expressão Plástica. Dá aulas a pequeninos que frequentam o
semi-internato. Dá aulas a maiorzinhos do Centro de Actividades Ocupacionais. E
consegue, ainda, dar largas à veia artística própria de uma formada em Artes
Plásticas.
Marcos Henrique é um cliente da APCC que conheceu naquela que
seria a sua primeira turma. «Foi logo um daqueles» diz ela numa expressão tão
denunciadora do quanto ele a maravilhou. «Fiquei surpreendida pela questão da
comunicação e também pelo traço dele», acrescenta sublinhando que «o Marcos foi
uma verdadeira surpresa porque se, à partida, podemos pensar que não dá muito,
a verdade é que ele dá efectivamente muito».
Disso, e muito mais, falarão eles hoje. O que importa agora
saber é que se, à chegada à instituição, da deficiência esta professora pouco
sabia, hoje entende-a, vive-a e explica-a de um modo tão seu. Tem uma peculiar
forma de estar ao lado dos seus alunos. Tem uma, também, peculiar forma de
mostrar este mundo ao seu filhote de três anos, Vicente.
Diz uma colega, e amiga, que Suzete «é o exemplo vivo de que não
se deve julgar os outros pela aparência e, também, de que as pessoas mudam». Fica
a questão: o que teria acontecido se o Dr. José Mendes de Barros não tivesse
visto além da camisa preta com caveiras brancas?»



